Segundo o Estadão, os cubanos temem que a abertura da economia aumente a criminalidade

Old buildings and string of shoes.

O tweet que divulgou o artigo:
https://twitter.com/estadao/status/546991057360019456
estadao-twitter-20141226

Fonte: O Estado de São Paulo
Título: Cubanos temem que abertura na economia aumente criminalidade
Autor: Rodrigo Cavalheiro – enviado especial do jornal em Havana
Disponível em: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,cubanos-temem-que-abertura-na-economia-aumente-criminalidade-imp-,1610782
Acesso: 26 dez 2014

Vamos analisar um pouco esta matéria.

Já no título Cubanos temem que abertura na economia aumente criminalidade, percebemos que segundo o jornal, aos olhos dos cubanos, a “abertura na economia” irá “aumentar a criminalidade” ou em outras palavras: Enquanto sob a ditadura comunista, os cubanos viviam num paraíso sem crimes (ou com “o menor índice de homicídios da América Latina” – mais adiante examinamos esta afirmação). Agora, com a “abertura capitalista” teme-se o aumento da criminalidade.

Ótimo o jornal conseguiu, com apenas 8 palavras gravar na mente do leitor ingênuo o binômio:
Comunismo = segurança
Capitalismo = aumento do crime.

Para chegar a esta conclusão, o jornalista se apoia em três depoimentos de cubanos, todos com mais de sessenta anos de idade. Não informa qual a autoridade que tais cidadãos têm para representar a população de Cuba, como quer dar a entender o título da matéria.

Mais adiante o jornal nos informa:

Moradores de um dos países mais seguros da América Latina creem que mudança na relação com EUA afetará sua tranquilidade.

Cuba é “um dos países mais seguros da América Latina” no entanto, um pouco depois o jornalista foi obrigado a reconhecer que

“Dados gerais sobre a criminalidade em Cuba são segredo de Estado”.

Apesar do “segredo de Estado”, surpreendentemente, o índice de 4,2 homicídios por 100.000 pessoas está publicado e é nele que o jornal baseia a sua conclusão sobre o lugar de Cuba no “ranking” da Segurança da América Latina.

Qualquer leitor atento se fará pelo menos duas perguntas:

  1. se os índices de criminalidade são “segredo de Estado”, qual a credibilidade que este número deve ter?
  2. se os índices de criminalidade são “segredo de Estado”, por que este índice foi divulgado?

As respostas não são nada difíceis para quem conhece um pouco do comportamento padrão de todas ditaduras e, por ser parte de um abrangente “segredo de Estado” tal índice jamais estará aberto ao escrutínio de entidades isentas e não comprometidas com a divulgação da ditadura Cubana.

Um dado revelador aparece nesta matéria que corrobora todas as acusações de privação das liberdades individuais que existe em Cuba. Para justificar porque os cubanos vivem em tal mundo maravilhoso em que a violência é tão insignificante que precisa ser mantida como “segredo de Estado”, o jornalista atesta:

“Além de policiais uniformizados, as ruas de Havana tem segurança invisível. cada quadra há um Comitê de Defesa da Revolução (CDR), onde os problemas da região são debatidos e levados ao regime. Nos anos 90, quando o narcotráfico tentou entrar na Ilha, informantes do CDR o inibiram. Hoje eles são uma versão das câmaras de segurança. (grifo acrescentado)

Um bom exemplo do que se pode esperar do futuro do Brasil, quanto aos papéis a serem desempenhados pelos sovietes do Decreto 8243. Já imaginaram como deve ser boa a vida num país em que, em cada bairro, em cada quadra, há um soviete de “Defesa da Revolução” sempre pronto para “levar para o regime” tudo o que aos olhos desse nefando “regime” constitui “os problemas” da região em que você vive?