Eurasianismo

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As matérias do Professor e Filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, sempre são instrutivas e esclarecedoras, além de conter um alerta que, se desprezado, nunca deixará de cobrar o seu preço do leitor negligente e descrente.

O professor Olavo apenas usa seu privilegiadissimo cérebro e o volume imenso de dados e informações colhidos ao longo de décadas de estudo e leitura para juntá-los todos numa lógica impecável e que, até onde é do meu conhecimento, nunca deixou de se cumprir.

Agora ele escreve mais uma vez sobre o Professor Dugin, com quem manteve um debate histórico e alerta sobre o mal do eurasianismo que hoje está ameaçando o ocidente, como bem ilustra o conflito na Ucrânia, além das investidas contra a democracia na América Latina e, até mesmo, nos Estados Unidos da América.

Teoria da conspiração? As esquerdas gostariam que todos pensassem assim, assim como eram teorias da conspiração o Foro de São Paulo, a tomada do poder pelos socialistas na América Latina e na América.

Segue a matéria:

Não é muito difícil entender que uma ideologia voltada à reconstrução de um dos impérios mais sangrentos de todos os tempos acabará, mais dia menos dia, revelando a sua própria índole cruel e homicida.

Estudantes da Universidade Estatal de Moscou estão exigindo a demissão do prof. Alexandre Duguin por ter defendido, desde o alto da sua cátedra, a matança sistemática dos ucranianos, que segundo ele não pertencem à espécie humana.

“Matem, matem, matem”, disse ele. “Não há mais o que discutir. Digo isso como professor.”

A declaração integral e exata está aos 17m50s deste vídeo:


(http://euromaidanpr.wordpress.com/2014/06/15/moscow-students-demand-to-fire-dugin-from-the-moscow-state-university-for-sparking-hatred-towards-ukrainians/.)

O Império Eurasiano tal como o concebem Alexandre Duguin e seu principal discípulo, o presidente Vladimir Putin, é uma síntese da extinta URSS com o Império tzarista. Como a teoria que fundamenta o projeto é por sua vez uma fusão de marxismo-leninismo, messianismo russo, nazismo e esoterismo, e como dificilmente se encontra no Ocidente algum leitor que conheça o suficiente de todas essas escolas de pensamento, cada um só enxerga nela a parte que lhe é mais simpática, comprando às cegas o resto do pacote.

Os saudosistas do stalinismo vêem nela a promessa do renascimento da URSS. Conservadores aplaudem o seu moralismo repressivo soi disant religioso. Velhos admiradores de Mussolini e do Führer apreciam a sua concepção francamente antidemocrática do Estado, bem como seu desprezo racista pelos povos destinados à sujeição imperial. Esoteristas, seguidores de René Guénon e Julius Evola, julgam que ela é a encarnação viva de uma “metapolítica” superior, incompreensível ao vulgo, mais ou menos como aquela que é descrita pelo romancista (e esoterista ele próprio) Raymond Abellio em La Fosse de Babel. Muçulmanos acabam às vezes aderindo ao projeto por conta do seu indisfarçado e odiento anti-ocidentalismo, na vaga esperança de utilizá-lo mais tarde como trampolim para a criação do Califado Universal, que por sua vez os “eurasianos” acreditam poder usar para seus próprios fins.

Não seria errado entender o eurasianismo como uma sistematização racionalizada do caos mental internacional. Neste sentido, sua unidade essencial não pode ser buscada no nível ideológico, mas na estratégia de conjunto que articula num projeto de poder mundial uma variedade de discursos ideológicos heterogêneos e, em teoria, conflitantes.

Não se deve pensar, no entanto, que esse traço definidor é único e original. Ao contrário do que geralmente se imagina, todos os movimentos revolucionários, sem exceção, cresceram no terreno fértil da confusão das línguas. O eurasianismo só de destaca dos outros por cultivar, desde a origem, uma consciência muito clara desse fator e, portanto, um aproveitamento engenhoso do confusionismo revolucionário.

Qualquer que seja o caso, o uso da violência genocida como instrumento de ocupação territorial está tão arraigado nos seus princípios estratégicos que, sem isso, o projeto inteiro não faria o menor sentido.

Essa obviedade não impede, no entanto, que cada deslumbrado do eurasianismo continue vendo nele só aquilo que bem entende, tapando os olhos para as partes desagradáveis. Se milhões de idiotas fizeram isso com o marxismo durante um século e meio, recusando-se a enxergar o plano genocida que ele trazia no seu bojo desde o princípio — e explicando ex post facto os crimes e desvarios como meros acidentes de percurso — , por que não haveriam de dar uma chance ao mais novo e fascinante estupefaciente revolucionário à venda no mercado?

***

A propósito do xingamento coletivo à Sra. Dilma Rousseff, que tanto indignou o ex-presidente Lula e o levou abrir guerra contra os que “não sabem do que somos capazes”, coloquei na minha página do Facebook estas duas notinhas, que se tornaram imediatamente virais e acho oportuno reproduzir aqui:

(1) “O governo petista habituou a população a desrespeitar tudo — a ordem, a família, a moral, as Forças Armadas, a polícia, as leis, o próprio Deus. Se esperava sair ileso e ser aceito como a única coisa respeitável no meio do esculacho universal, então é até mais louco do que parece.”

(2) “O sr. Lula xingou o então presidente Itamar Franco de “f. da p.”, disse que a cidade de Pelotas é “exportadora de veados”, gabou-se (por brincadeira, segundo Sílvio Tendler) de tentar estuprar um colega de cela e confessou (em entrevista à Playboy) ter nostalgia dos tempos em que os meninos do Nordeste faziam — se é que faziam – sexo com cabritas e jumentas. É a pessoa adequada para dar lições de respeitabilidade à nação brasileira. Todo mundo sabe do que ele é capaz.”

Fonte: Mídia Sem Máscara
Título: Eurasianismo e genocídio
Autor: Prof. Olavo de Carvalho
Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/15281-2014-06-20-22-02-48.html
Acesso: 21 jun 2014

Tradução da matéria postada no sítio Ucrânia Unida (em inglês), indicado na matéria do prof. Olavo.


A página web de petições eletrônicas change.org publicou uma petição dos estudantes aos dirigentes da principal instituição de alta educação de Moscou, a Universidade Estatal Lomonosov de Moscou para demitir o odioso “filósofo” Alexandr Dugin de lecionar no país. A razão foram suas declarações militaristas sobre os ucranianos.

Os autores da petição acreditam que

“as atividades públicas do ‘professor’ Dugin estão em desacordo com a posião que ele ocupa no sistema de educação pública, causam dano à imagem da ciência russa e ao status da Universidade Estatal Lomonosov de Moscou. Como tal, o professor Dugin fez apelos diretos ao assassinato, alegando que esta era sua posição como professor:

Como professor é isso que eu penso.

O filósofo Sergey Datsiuk publicou mais tarde uma declaração com a qual os autores da petição estão em completo acordo:

Em 6 de maio de 2014, numa entrevista à agência Anna-News, o professor Alexandr Gelievich Dugin, da Universidade Estatal M. V. Lomonosov de Moscou, ao descrever a alegada não-humanidade dos ucranianos apelou para o seu extermínio. Sobre os ucranianos, ele diz o seguinte, literalmente, aos 18 minutos da entrevista

Matar, matar, matar! Chega de conversa! Como professor é assim que eu penso.

  1. Como a declaração de Dugin se enquadra no estatuto da MSU e na sua [da Universidade] posição na sociedade da Rússia e no resto do mundo?
  2. Dugin é mesmo um professor da MSU e se é, continuará professor depois dessa entrevista?
  3. È a posição de Dugin a posição oficial da MSU e compartilham de sua opinião todos professores da MSU?

Fonte: Ukraine is United
Título: Moscow students demand to fire Dugin from the Moscow State University for sparking hatred towards Ukrainians
Autor: Rufabula (em russo)
Tradução para o inglês: Mariya Shcherbinina
Disponível em:
Acesso: 21 jun 2014