Cuba exporta a desgraça!

O Historiador Carlos Azambuja está entre aqueles autores cuja leitura nunca é cansativa e sempre é enriquecedora. O texto a seguir, publicado originalmente no jornal on line “Alerta Total”, está sendo reproduzido aqui por sua alta qualidade didática em expor o mau caratismo do governo Cubano, tão admirado por “personalidades” como Chico Buarque, Luiz Fernando Veríssimo, Dilma Roussef e tantos outros deslumbrados que o são ou por oportunismo aproveitador ou por idiotice útil.

Recentemente comentei aqui o artigo de Rodrigo Cavalheiro, publicado no jornal O Estado de São Paulo onde entre outras coisas engraçadas, o jornalista louvava o sistema de “câmaras de vigilância” composto por cidadãos cubanos instalados quais “vigias” de seus vizinhos, literalmente “em cada quadra”. Sistema esse que, segundo o jornalista, teria “impedido” o narcotráfico de se instalar na Ilha (esquecendo-se, naturalmente que, conforme diversas denuncias internacionais, os próprios donos da Ilha caribenha o praticam, intermediando os países produtores da América do Sul e os traficantes dos EUA e da Europa).

Foi justamente uma descrição detalhada de tal sistema de “câmaras de vigilância” humano, montado pelo Diretório Geral de Informações (DGI) cubano que me motivou trazer para cá a matéria do Professor Carlos Azambuja e aproveito para perguntar ao leitor: que tal viver num lugar em que um de seus vizinhos – que obviamente você não sabe quem é – está ali monitorando cada ato, palavra e até mesmo, pensamento que você tenha para se certificar de que você, ou sua família, não são uma ameaça para o Estado?

Publicado em Alerta Total
Título: A Bandidagem Revolucionária
Autor: Carlos I. S. Azambuja
Disponível em:http://www.alertatotal.net/2015/01/a-bandidagem-revolucionaria.html
Acesso em 06 jan 2015

Texto para Obama ler na cama

“Meu povo está subjugado na mais negra miséria. Torturam-se pessoas e um quinto da população fugiu por razões políticas. O povo cubano vive esperando o abraço solidário dos mandatários ibero-americanos. Estes, porém, o negam às vítimas e o oferecem ao carrasco” (Armando Valladares, poeta que passou 22 anos nas masmorras cubanas).

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O Diretório Geral de Informações (DGI) é um dos serviços de Inteligência do Estado cubano. Está sob a jurisdição do Ministério do Interior (MININT), sendo que o seu diretor, durante mais de 30 anos foi Manuel Piñero Losada (falecido em 1998, em Havana, em um estranho acidente de automóvel dirigido por ele próprio). Ele assumiu a chefia dos serviços de segurança e informações ainda quando a guerrilha castrista combatia em Sierra Maestra. Após a tomada do Poder, Piñero recebeu de Fidel a tarefa de exportar a revolução, o que lhe permitiu realizar um sem número de ações fora do território cubano.

O efetivo do DGI está integrado por sociólogos, psiquiatras, jornalistas, advogados, psicólogos, médicos, líderes religiosos e estudantis, locutores, cientistas e outros profissionais.

Todos os organismos da administração central do Estado, assim como as empresas, estabelecimentos, instituições de investigação científica, meios de difusão, organizações sociais, etc., são sistematicamente supervisionadas por oficiais do DGI. Em cada quadra há uma ou mais pessoas classificadas pelo DGI como “pessoal de confiança”. Essas pessoas geralmente mantêm uma falsa atitude de crítica ativa ao sistema ou de pouca militância política.

Seu objetivo consiste em informar ao DGI o que ocorre em seus locais de residência. Sua missão é independente daquela que realizam os membros dos CDR (Comitês de Defesa da Revolução), cuja estrutura organizativa possui um “Responsável de Vigilância” que também colabora com o DGI, porém sem a capacitação e alcance do “Pessoal de Confiança”.

O DGI também organiza, assessora, capacita e mobiliza as temíveis Brigadas de Resposta Rápida encarregadas de reprimir com violência as atividades dos movimentos de oposição política. Há numerosos testemunhos de oposicionistas do regime que sofreram ataques dessas Brigadas. Em cada comunidade foram criados pelo DGI os Sistemas Únicos de Exploração e Vigilância, formados por pessoas adeptas incondicionais do regime, dirigidas por militantes do Partido Comunista.

A partir de 1967, em sua tarefa de exportar a revolução, inclusive antes do triunfo de Allende, começaram a chegar ao Chile agentes da Inteligência cubana sob a cobertura de “bolsas de estudo”. Essa afirmação é de Rafael Nuñez, um ex-funcionário cubano que cumpriu várias missões em Santiago durante o governo da Unidade Popular. Segundo ele, o objetivo era converter o país em uma base de apoio à subversão na América Latina: “Desde a embaixada cubana em Santiago se administravam as operações na Argentina, Brasil e Uruguai”.

O próprio Manuel Piñero esteve várias vezes no Chile antes da deposição de Allende e em uma dessas visitas conheceu a chilena Marta Harnecker, uma militante do MAPU (Movimento Unificado de Ação Popular), que seria sua segunda esposa.

Em 1974, a fim de potenciar a exportação da ação revolucionária a todo o Continente, Fidel Castro criou um aparato de Inteligência próprio, paralelo ao DGI e às Tropas Especiais, que já existiam sob a dependência do Ministério do Interior. Essa nova entidade, que ficou a cargo de Piñero, foi denominada Departamento América, dentro do organograma do Comitê Central, com orçamento próprio e ampla autonomia. Por quase duas décadas, esse organismo foi o oxigênio da insurgência continental e, mais tarde, com o desmanche do socialismo real, o foco dirigente da chamada “bandidagem revolucionária”, o “Ministério da Revolução”, como o batizou Fidel Castro.

Com seu espírito conspirativo, Manuel Piñero moldou a seu modo a sua gente da América Latina, em sua maioria jovens humildes aos quais transmitiu o gosto por “los fierros” (armas).

Os membros do Departamento América foram distribuídos sob a cobertura das embaixadas cubanas, coordenando todas as operações nos diversos países. Após a deposição de Allende, como no governo Pinochet não havia representação cubana no Chile, o lugar das operações foi transferido para Buenos Aires, de onde os grupos terroristas chilenos eram ajudados com dinheiro, informação, armas e documentação falsa para viagens a Cuba, quase sempre via Lima, Peru, e daí para Havana, pela Cubana de Aviación.

Em dezembro de 1989, quando do seqüestro do empresário Abílio Diniz, no Brasil, por um grupo de argentinos, chilenos e canadenses, em algumas agendas apreendidas com os seqüestradores figurava o nome do embaixador de Cuba na Argentina, Santiago Eduardo Díaz Paez, codinome “Terry”, membro do Departamento América desde, pelo menos, 1985. Nessa época, 1989, o Conselheiro Político da embaixada na Argentina era Daniel Enrique Herrera Perez, subchefe do DA para o Cone Sul.

As operações dirigidas pelo Departamento América, que chamamos de “bandidagem revolucionária” foram inúmeras, todas ou quase todas utilizando a mão de obra ociosa do MIR chileno, que era considerado “o filho predileto” de Piñero. Essas operações consistiam basicamente em seqüestros e assaltos a bancos.

O Departamento América apontava os alvos, organizava as ações e grupos compostos por guerrilheiros de distintos países as realizavam. Um dos personagens mais importantes dessa estrutura era o chileno René Valenzuela Bejas (“El Gato”), que chefiou no Brasil o seqüestro de Abílio Diniz, embora na época não tenha sido identificado, tendo sido posteriormente detido, em 1992, na Espanha por participar de seqüestros junto com a organização Eta-Basca. Valenzuela era, então, um dos dirigentes do MIR chileno, responsável pela obtenção de “solidariedade no exterior”.

Foram realizados vários assaltos a bancos no México e um dos seqüestros mais comentados ocorreu em 1984, quando militantes do MIR chileno se apoderaram do empresário panamenho Sam Kardensky, no Panamá, que foi libertado quase um ano depois no Equador. O resgate pago foi de US$ 9 milhões.

Os seqüestros de Luiz Salles, Geraldo Alonso, Antonio Beltran Martinez, Washington Olivetto e Abílio Diniz, todos em São Paulo, foram operações do Departamento América. O objetivo era arrecadar fundos destinados às guerrilhas ainda existentes na América Latina, em face da escassez de recursos decorrente do desmantelamento do socialismo real, que pôs um fim ao fluxo do chamado “ouro de Moscou”. Observe-se a coincidência da modalidade do primeiro contato, em todos esses seqüestros, com as famílias dos seqüestrados, feito através de cartas acompanhadas de ramos de flores.

Alguns livros confirmaram a “bandidagem revolucionária”: “A Utopia Desarmada” do mexicano Jorge Castañeda (editado no Brasil em 1994), “Fin de Siglo em Havana”, dos jornalistas franceses Jean Pierre Fogel e Bertrand Rosenthal, lançado em Bogotá, Quito e Caracas em 1994, e “Uma Questão de Justiça”, da jornalista canadense Isabel Vincent, lançado simultaneamente no Brasil e Canadá em 1995. Segundo ela, “o cartel (de seqüestros) teria ramificações em mais de doze países, incluindo terroristas do grupo separatista basco Eta-Basca”.

Também o atentado ao general Pinochet (“Operação Século XX”) em 1986 – quando cinco militares da sua segurança foram mortos e dez ficaram feridos -, o atentado que causou ferimentos ao general Gustavo Leigh, bem como o seqüestro de Christian Edwards Del Río, filho do proprietário do jornal “El Mercúrio”, em 1991, contaram com a assessoria da Inteligência cubana.

O poder de Piñero já vinha sofrendo danos com o fortalecimento dos “Contras” na Nicarágua, com o fim da guerrilha em El Salvador, mediante um acordo de paz e, fundamentalmente, pela queda do bloco soviético, nos anos de 1989, 1990 e 1991. Finalmente, a demissão de Piñero da chefia do Departamento América, em 24 de fevereiro de 1992, parece ter sido em conseqüência da “bandidagem revolucionária”, pois para os Serviços de Inteligência da América Latina não era mais segredo a responsabilidade cubana nos bastidores.

Observe-se que no ano de 1978 Manuel Piñero respaldou a chamada “Operação Retorno”, do MIR, mediante a qual voltaram ao Chile, clandestinamente, inúmeros militantes com formação militar em Cuba. Não obstante, essa operação fracassou, sendo detida a maior parte dos retornados, desarticulado o núcleo urbano e aniquilado o “Foco Guerrilheiro” que havia sido instalado na região de Netume. Apesar desse fracasso, Piñero sobreviveu na chefia do DA graças ao saldo acumulado pela participação na vitória sandinista, em 1979, na Nicarágua e ao estabelecimento de um regime pró-castrista em Granada.

Finalmente, uma referência deve ser feita ao Departamento de Operações Especiais, órgão a cargo das Tropas Especiais, unidade paramilitar vinculada ao Ministério do Interior, através do qual militantes dos chamados movimentos de libertação nacional, escolhidos pelo Departamento América, recebem treinamento militar em Cuba. Embora oficiais desse Departamento mantenham contatos diretos com membros do aparato militar de determinados movimentos de libertação, a supervisão de tais contatos é, no entanto, do DA.

Observe-se que em 26 de agosto de 2004, a presidente do Panamá, Mireya Moscoso, decidiu soberanamente indultar quatro anticastristas presos sob a acusação de conspirar para matar Fidel Castro. Imediatamente o governo cubano divulgou uma nota anunciando o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, tachando a presidente do Panamá de “cúmplice e protetora do terrorismo”.

O governo cubano, descaradamente, conta com a falta de memória da mídia e dos povos para acusar a outros daquilo que sempre fez e que constitui o bê-a-bá de sua política externa: a bandidagem revolucionária.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Em nome da Justiça

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Maramures- Romênia – Monumento às Vítimas do Comunismo

Atualizado em 14/12/13

Outras publicação sobre o mesmo tema:

Autor: Rodrigo Constantino
Publicado em: Blog do Rodrigo Constantino
Título: Os 126 fantasmas que assombram a esquerda
Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/historia/os-126-fantasmas-que-assombram-a-esquerda/
Acesso em: 14 dez 2014

Autor: Luciano Ayan
Publicado em: Ceticismo Político
Título: Haja saco para mais encenação: Dilma chora ao receber relatório final da Comissão da Verdade
Disponível em: http://lucianoayan.com/2014/12/10/haja-saco-para-mais-encenacao-dilma-chora-ao-receber-relatorio-final-da-comissao-da-verdade/
Acesso em: 14 dez 2014

Autor: Augusto Nunes
Publicado em: Blog do Augusto Nunes
Título: O terrorista que matou o companheiro de luta armada está fora da lista da Comissão da Verdade e o assassinado foi condenado ao esquecimento perpétuo. Haja cinismo
Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-terrorista-que-assassinou-um-companheiro-de-luta-contra-a-ditadura-esta-fora-da-lista-da-comissao-da-verdade-a-vitima-tambem/
Acesso em: 14 dez 2014
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Relatório da Calúnia

Autor: Paulo Chagas
Fonte : Alerta Total
Disponível em: http://www.alertatotal.net/2014/12/relatorio-da-calunia.html
Acesso em: 12/12/14

Mais uma vez assisti a encenação das lágrimas da terrorista que nos governa.

Será que derramou alguma delas pelos inocentes que morreram vitimados pelos atos criminosos dos que com ela ombreavam e que, propositadamente, deixaram de ser lembrados no relatório que lhe trouxe tanta saudade e emoção?

Reporto-me a seu passado de ativista, idealizadora e partícipe de atos de guerrilha urbana, do qual tem tanto orgulho, e fico a imaginá-la aos gritos de exultação a cada sucesso de seus atentados.

Mais uma vez a vi mentir ao dizer que lutou pela democracia. Quanta hipocrisia!

Há muito venho falando e escrevendo sobre a comissão nacional da verdade, ou da “calúnia”, como lhe ficaria mais justa a denominação. Todas as vezes em que me referi ao relatório que estava a produzir o fiz com a convicção de que se tratava de algo inútil e falso, porquanto, desde sua criação, a comissão pautou seu trabalho pela linha da ilegalidade e do sectarismo.
Hoje, recebi da própria CNV a comprovação do que disse e escrevi. Trata-se, de fato, de um agrupamento de pessoas selecionadas entre as mais comprometidas com os interesses ideológicos da facção criminosa que ocupa o poder da república. Esta, por sua vez, comprometida com a desonestidade, com a corrupção, com o desvio de recursos públicos e, dentre tantas outras adjetivações da canalhice, visceralmente amancebada com a mentira e radicalmente avessa à democracia!

Mesmo sem ler o extenso e inócuo relatório, encontro a prova da sua falsidade na lista de autoridades militares ditas como envolvidas em graves violações dos direitos humanos, porque nela consta, entre outros cujo passado ilibado conheço, o nome do meu pai, Gen Div Floriano Aguilar Chagas, já falecido.

A calúnia, o desrespeito e a covardia embutidos neste fato merecem e terão muito mais do que o meu veemente repúdio.
As pessoas que conheceram meu pai e que sabem e compartilham da admiração que meus irmãos, eu e nossas famílias dedicamos a ele, à sua memória e à sua obra – como cidadão, soldado, pai e amigo – podem avaliar o tamanho da revolta que se apossa de nós todos.

Nós e os amigos do meu pai não permitiremos que suas cinzas sejam usadas impunemente na tentativa de desviar a atenção da sociedade para o lado oposto da realidade e da verdade.

Nada mais oportuno para o governo corrupto da terrorista Dilma Rousseff do que a cortina de fumaça que inutilmente quer produzir para comover a sociedade e tentar encobrir os crimes que tem cometido contra o patrimônio nacional, protagonizando os momentos mais obscuros e vergonhosos jamais vividos pela Nação.

Meu pai foi, em março de 1964, contra-revolucionário de primeiro momento. Tenho muito orgulho de conhecer o desassombro com que, de imediato, ele e seus camaradas do Comando da 2ª Divisão de Cavalaria aderiram ao movimento salvacionista. Tenho muito orgulho do seu desempenho como Adido Militar junto à Embaixada do Brasil em Buenos Aires, onde conquistou admiradores para toda a vida, dizendo, com sinceridade e convicção, que em sua carreira andarilha de Soldado de Cavalaria acostumara-se a percorrer fronteiras e a cruzá-las para encontrar os amigos, irmãos sul americanos.

De que forma teria ele, como querem fazer crer os comissários, “atentado contra os direitos humanos” enquanto praticava com maestria e elegância a diplomacia militar?

Meu pai foi um homem de sucesso porque, sendo justo e rigoroso com todos e intransigente consigo mesmo, não fez inimigos nem teve desafetos, só amigos fieis e admiradores sinceros.

Um velho poema hebraico, cuja essência é a essência do caráter do soldado, diz: “Três verdades há no mundo; a verdade e a verdade e o fulgor da verdade.”

Eles responderão pela calúnia!

Paulo Chagas é General de Brigada, na reserva.

Enquanto Dilma derrama lágrimas de crocodilo pelos terroristas companheiros que foram mortos na luta armada contra o governo militar, esquece dos inocentes assassinados por ela e seus amigos na luta em que se empenhavam e que ela continua se empenhando, no sentido de implantar no Brasil a ditadura sanguinária socialista.

Lista das vítimas dos terroristas durante o regime militar, não investigados pela (c)Omissão da Verdade!

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-mortos-sem-sepultura-historica-da-comissao-da-farsa-1-os-assassinados-pelas-esquerdas-antes-do-ai-5/

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-mortos-sem-sepultura-historica-da-comissao-da-farsa-2-muitas-das-vitimas-eram-pessoas-comuns-so-tiveram-a-ma-sorte-de-cruzar-com-um-esquerdista/

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-mortos-sem-sepultura-historica-da-comissao-da-farsa-3-ou-a-impressionante-covardia-de-carlos-lamarca/

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-mortos-sem-sepultura-historica-da-comissao-da-farsa-4-o-alto-grau-de-letalidade-daqueles-humanistas/

As ditaduras e a Imprensa

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O Silêncio mata a Democracia, mas uma Imprensa Livre fala!

Liberdade de Imprensa

Texto de Ludwig von Mises.

misesA liberdade de imprensa é um dos pontos fundamentais de um país de cidadãos livres. É um dos itens essenciais do programa político do velho liberalismo clássico. Até hoje, ninguém conseguiu apresentar objeções convincentes contra a argumentação de duas obras clássicas: Areopagitica, de John Milton, em 1644, e On Liberty, de John Stuart Mill, em 1859. Imprimir livros proibidos é o sangue vivo da literatura.

A imprensa livre só existe onde os controles dos meios de produção é privado. Na comunidade socialista, na qual todos os meios para publicar e as máquinas impressoras pertencem e são acionadas pelo governo, não pode existir imprensa livre. O governo determina sozinho quem deve dispor de tempo e de ocasião para escrever, bem como o que deve ser impresso e publicado. Comparado com as condições predominantes na Rússia soviética, até a Rússia dos czares, retrospectivamente, parece um país de imprensa livre. Quando os nazistas realizaram o famoso auto-de-fé do livro, agiram perfeitamente com o que preconizou um dos maiores autores socialistas, Cabet1.

Como todas nações estão caminhando para o socialismo, a liberdade dos autores desaparece pouco a pouco. Torna-se cada dia mais difícil para alguém publicar um livro ou artigo cujo conteúdo não agrade ao governo ou a fortes grupos de pressão. Os hereges não são, no entanto, “liquidados”, como na Rússia, nem seus livros são queimados por ordem da Inquisição. Também não há retorno ao velho sistema de censura. Os que se consideram progressistas dispõem de armas mais eficientes. Seu principal instrumento de opressão é boicotar autores, organizadores, editores, livreiros, impressores, anunciantes e leitores.

Qualquer um é livre para abster-se de ler livros, revistas e jornais que lhe desagradam, assim como para recomendar a outros que evitem esses livros, revistas e jornais. Mas a coisa muda de figura quando algumas pessoas ameaçam outras com graves represálias, caso estas não deixem de patrocinar certas publicações e seus editores. Em muitos países, os editores de jornais e revistas ficam apavorados com a ameaça de boicote por parte dos sindicatos. Evitam discussões abertas sobre o assunto e tacitamente cedem às ordens dos líderes sindicais2. Esses líderes “trabalhistas” são muito mais delicados do que as majestades reais imperiais das épocas passadas; não admitem gracejos. Sua instabilidade rebaixou a sátira, a comédia e a comédia musical do verdadeiro teatro e condenou os filmes à esterilidade.

No ancien régime3 os teatros tinham liberdade para apresentar as zombarias de Beaumarchais4 sobre a aristocracia e a ópera imortal composta por Mozart. Sob o segundo império francês5, a “Grã Duquesa de Gerolstein“, de Offenbach e Halévy, parodiou o absolutismo, o militarismo e a vida na corte. O próprio Napoleão III e outros monarcas europeus divertiam-se com a peça que os ridicularizava. Na época vitoriana, o censor dos teatros britânicos, Lord Chamberlain, não proibiu a exibição das comédias musicais de Gilbert e Sullivan que faziam pilhérias de todas as veneráveis instituições do sistema de governo britânico. Os lordes lotavam os camarotes enquanto, no palco, o Conde Montararat cantava: “The House of Peers made no pretence to intellectual eminence” (A Casa dos Nobres não tem nenhuma pretenção a destaque intelectual).

Hoje em dia, não se pode fazer a mínima paródia no palco a respeito dos poderes existentes. Nenhuma observação desrespeitosa sobre sindicatos, cooperativas, empresas dirigidas pelo governo, déficits orçamentários e outros aspectos previdenciário é tolerada. Os líderes sindicais e os burocratas são sagrados, e o que resta para comédia são os assuntos que tornaram a opereta e afarsa de Hollywood execráveis.

Fonte:
MISES, Ludwig von. A Mentalidade Anticapitalista. Tradução: ABREU, Carlos dos Santos. 2013. Campinas:VIDE Editorial (sob licença do Instituto Liberal – RJ). Pgs. 89-91. ISBN 978-85-62910-22-7.


1. Cf. Cabet, Voyage en Icarie, Paris, 1848, p. 127.
2. Sobre o sistema de boicote estabelecido pela Igreja Católica, cf-P. Blanshard, American Freedon and Catholic power, Boston, 1949, pp. 194-198.
3. O ancien régime (o “antigo regime) era o sistema social e político, monárquico, aristocrático estabelecido na França desde, aproximadamente o século XV até o final do século XVIII, quando foi derrubado pela Revolução.
4. Beaumarchais autor das peçasO Barbeiro de Sevilha, As Bodas de Fígaro e A Mãe Culpada, peças consideradas subversivas pelos governos imperiais da época e citadas pelos historiadores como instigadoras da Revolução Francesa.
5. O retorno á monarquia institucional na França, após as guerras napoleônicas que se seguiram ao fracasso da Revolução

Desafio político x ajuda internacional

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A última das quatro alternativas ao desafio político analisadas por Sharp é o apelo à ajuda internacional para derrubar uma ditadura opressiva. Segundo o autor, o cenário propício para o desenvolvimento entre os oprimidos do desejo de apelar para ajuda externa ocorre quando não se sentem capazes de vencer a opressão do Estado e quando alguns precisam sair do país para escapar às ações do governo opressor.

Vimos isso acontecer no caso dos exilados cubanos e, mais recentemente, na vizinha Venezuela, durante os distúrbios de fevereiro deste ano, quando alguns dos aflitos venezuelanos fizeram vídeos solicitando ajuda estrangeira contra o governo Maduro.

Sharp aponta para as armadilhas sob as quais se esconde a impressão de que a ajuda externa é de ajuda para resolver os problemas internos de uma nação:

Algumas realidades duras sobre dependência de intervenção estrangeira devem ser enfatizados aqui:

  • Frequentemente, estados estrangeiros tolerarão, ou até mesmo ajudarão positivamente uma ditadura, a fim de defender seus próprios interesses econômicos ou políticos.
  • Estados estrangeiros também podem estar dispostos a vender um povo oprimido em vez de manter as promessas de ajudar em sua libertação à custa de outro objetivo.
  • Alguns estados estrangeiros agirão contra uma ditadura só para ganhar o controle econômico, político ou militar sobre o país.
  • Os estados estrangeiros podem se envolver ativamente para fins positivos somente se e quando o movimento de resistência interna já começou a abalar a ditadura, tendo, assim, a atenção internacional direcionada para a natureza brutal do regime.

Fonte: SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação . Tradução: FILARDI, José a. S. 4ª Edição. São Paulo:The Alert Einstein Institution. pg. 10. 2010. ISBN 1-880813-09-2.

E Sharp explica por que isso acontece:

Ditaduras normalmente existem principalmente por causa da distribuição interna do poder no país de origem. A população e a sociedade são demasiado fracas para causar à ditadura sérios problemas; a riqueza e o poder estão concentrados em muito poucas mãos. Embora a ditadura possa se beneficiar ou ser um pouco debilitado por ações internacionais, sua existência depende principalmente de fatores internos.

Pressões internacionais podem ser muito úteis; mas quando elas estão apoiando um poderoso movimento de resistência interna. (Sharp, op. Cit. pg. 10 – ênfase acrescentada)

Assim, antes de se apelar para ajuda internacional é preciso haver no país um movimento expressivo de resistência interna. Isto significa que, a principal mola mestra da mudança é o povo do próprio país. Sem ele esperar pela ajuda externa pode ser vã.

Por esta razão, a censura à mídia é tão importante para as ditaduras é através dela que impedem a divulgação junto à opinião pública dos movimentos populares ao mesmo tempo que, internamente, buscam com o auxílio da mídia censurada, desacreditar os movimentos oposicionistas. Esta é uma das razões porque os democratas não devem desistir de resistir aos esforços dos ditadores de censurar e controlar a mídia.

Além dos vários exemplos históricos que estão nos registrados nos livros especializados sobre as diversa s ditaduras que exisitiarm no passado e que ainda sobrevivem no mundo, os países da América do Sul já sob o controle do Foro de São Paulo (ex. Argentina, Venezuela, Bolíva, Equador, Uruguai, Colômbia e Brasil) são os exemplos vivos do poder deletério que o controle do Estado sobre os meios de comunicação exerce sobre o imaginário de uma opinião pública de baixo nível cultural e mal informada.

As considerações finais do capítulo que abre a obra citada de Gene Sharp serão o objeto do próximo post. Nela o autor traça um roteiro para se remover os principais obstáculos que podem dificultar a evolução do desafio político no caminho para a libertação da ditadura opressora.

Gene Sharp – Da Ditadura à Democracia – Uma estrutura conceitual para a libertação

Fonte: Álbum de fotos da Komby de Idacildo

Fonte: Álbum de fotos da Komby de Idacildo

Fonte: Facebook de Idacildo Balay Cortes, de Natal, Rio Grande do Norte, que teve sua Kombi pichada por falar mal do PT. Acesso em 18 nov 2014.

Sobre ditaduras

O livro de Gene Sharp, que dá título a esta matéria contém muita informação útil sobre o que pode ser feito pelo povo como resistência pacífica (que ele define como “Desafio político”) às ditaduras.

Talvez alguns se perguntem até que ponto não parece meio histérico se rotular o atual governo petista de ditatorial.

”Infelizmente, o passado ainda está conosco. O problema das ditaduras é profundo. Pessoas em muitos países vêm experimentando décadas ou mesmo séculos de opressão, seja de origem nacional ou estrangeira. Com frequência, a submissão cega a figuras de autoridade e governantes tem sido inculcada por muito tempo. Em casos extremos, as instituições sociais, políticas, econômicas, religiosas e até mesmo da sociedade – fora do controle do estado – foram deliberadamente enfraquecidas, subordinadas, ou mesmo substituídas por novas instituições arregimentadas utilizadas pelo Estado ou pelo partido governante para controlar a sociedade. A população tem sido muitas vezes atomizada (transformada em uma massa de indivíduos isolados) incapazes de trabalhar juntos para alcançar a liberdade, confiar uns nos outros, ou até mesmo fazer muita coisa por sua própria iniciativa.

Fonte: SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação. Tradução: FILARDI, José a. S. 4ª Edição. São Paulo: . 2010. ISBN 1-880813-09-2. Página 8. (ênfase acrescentada)[1]

Revise os trechos destacados e responda se não é exatamente isto que o partido do Governo fez e continua fazendo nestes 12 anos que detém o poder? O PT se infiltrou rigorosamente em todas as instituições citadas no trecho, inclusives as instituições sociais, como ONGs que, como o próprio título indica são não governamentais, entidades de classe como a OAB, a ABI, os Conselhos Regionais e até mesmo nas religiosas onde, apesar do paradoxo de uma religião defender o socialismo ateu, ele tem pastores e padres engajados e que instruem e incentivam seus rebanhos a apoiar o partido e suas linhas auxiliares (PSOL, PSTU, PCdoB etc.)..

Mais dois pontos citados resultado de um único sentimento inculcado na população pelas ditaduras e que podemos dizer se repetem no Brasil:

    • O primeiro, se refere à incapacidade da população trabalhar junto em prol de sua própria liberdade; e,
    • a incapacidade de, por iniciativa própria o povo poder fazer algo no sentido de mudar a realidade que o cerca.

sendo, em ambos os casos, o medo da retaliação e de perseguição, o principal motivo que leva as pessoas a se calar.

Em pelo menos dois ambientes vemos isso acontecendo. Um deles é nos empregos públicos e nas estatais, onde os funcionários não colaboradores com o partido governista são afastados de suas posições e mantidos fora de qualquer plano de carreira em que o avanço não é automático, mas dependa de suas gerências superiores.

Um segundo ambiente é na mídia onde veículos, jornalistas, artistas e outros formadores de opinião só têm destaque, divulgação e muitas vezes mesmo, o próprio direito à subsistência, como nas recentes chantagens promovidas pelo governo contra empresas com ao Abril e o SBT, se forem apoiadores do governo.

Gene Sharp afirma que protestos em massa de curta duração e manifestações por si só serão ineficientes se não conseguirem superar o medo do povo e o hábito da obediência, pré-requisitos necessários para destruir a ditadura. Estas portanto são premissas básicas que os movimentos resistência devem buscar se haverão de levar a bom termo o processo de exclusão do governo ditatorial. (SHARP, Gene, op. cit. p.8)

O exemplo do amigo Idacildo, de Natal e ilustrado na foto que encabeça esta matéria é mais uma evidência de que o PT e seus defensores nunca foram democráticos. Não podemos nos deixar enganar: vivemos, sim, numa ditadura e cabe a nós, o que prezamos a nossa liberdade, nos organizar para agir contra a ditadura petista.

Mas estas não são as únicas razões porque o atual governo do PT se consolida cada vez mais como uma ditadura. À medida em que for publicando minhas análises sobre o livro de Gene Sharp, outras evidências da ditadura petista, que talvez passem despercebidas pela maioria dos brasileiros, serão acrescentadas.

Atualizado em 18 nov 2014

01 – Sobre Gene Sharp:
Sítio do Gene Sharp (em português): http://daditaduraademocracia.wordpress.com/
Acesso em: 18/11/14

Livro “Da ditadura à democracia” (edição original em inglês): http://www.aeinstein.org/wp-content/uploads/2013/09/FDTD.pdf
Acesso em: 18/11/14

Livro “Da ditadura à democracia” (edição em português): http://bibliot3ca.files.wordpress.com/2011/03/da-ditadura-a-democracia-gene-sharp2.pdf
Acesso em: 18/11/14 (Volta)