CARTA AO JORNALISTA REINALDO AZEVEDO

Introdução:

Há alguns meses não tenho escrito nada aqui. Confesso que me falta “inspiração” diante do cenário cada vez mais decadente que o PT e demais partidos de esquerda montam para o nosso futuro sem que nada possa ser feito para impedi-los.

No entanto, nas minhas andanças pela Internet tenho encontrado muitos textos que, independente de quando foram escritos, merecem ser guardados para serem consultados sempre que situações parecidas acontecem. E situações parecidas estão se repetindo em quantidade assustadora nos últimos dias.

Portanto, decidi deixar de lado meus brios quanto a só postar matérias de minha autoria, quando me falta a motivação para escrevê-las, mas usar este blog como uma espécie de repositório daqueles textos, autores e sítios com os quais me identifico e que sempre gosto de revisitar.

O texto a seguir é cópia da matéria colocada no sítio referenciado
—————————————

A matéria do Reinaldo que motivou o desabafo do Dr. Miltom Pires, pode ser lida em:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/querem-ficar-chocados-pois-nao-a-pf-e-o-mp-exageraram-sim-apesar-dos-carroes-de-collor-o-estado-de-direito-e-coisa-mais-seria-do-que-isso/

Origem: Alerta Total
Autor: Milton Simon Pires
Disponível em: http://www.alertatotal.net/2015/07/carta-ao-jornalista-reinaldo-azevedo.html
Acesso em: 15/07/15

CARTA AO JORNALISTA REINALDO AZEVEDO

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The Siege: Nova York sitiada

Prezado Reinaldo,

Nós nos conhecemos pessoalmente na Livraria Cultura, aqui em Porto Alegre, por ocasião do lançamento de “O País dos Petralhas II” (livro que guardo aqui em casa com a sua dedicatória). Leio seu blog diariamente e, se você escrever outro livro, evidentemente, vou comprar e ler. Apesar disso, muito já me irritei (e vou continuar, provavelmente, me irritando) com declarações suas a respeito do PT. Tenho certeza absoluta que você não se importa com a minha “irritação” e vai manter, como sempre fez, seus pontos de vista que tem sempre, na minha opinião, bases muito sólidas.

Hoje eu lhe escrevo em função da Operação Politeia da Polícia Federal – essa que invadiu propriedade de Fernando Collor e tomou seus carros de luxo – dando origem ao seu post de 15/07/2015 às 9:20 com o título “Os inocentes úteis e inúteis que saem em defesa da truculência da PF e do MP estão é no movimento “Fica Dilma!”

A respeito do seu post, fiz um comentário no Facebook dirigido ao amigo Dalmo Accorsini e que reproduzo aqui: Dalmo, parece-me que agora o Reinaldo Azevedo quer se apresentar ao Brasil como o agente especial Hubbart que, nessa foto, diz ao Coronel Devereaux: “Não, coronel, nós não podemos agir como eles…nós não podemos matar e torturar…se nós fizermos isso, eles já ganharam!” LEMBRE-SE, Dalmo: há uma diferença gigantesca entre o Hubbard e o Reinaldo Azevedo (mesmo que o primeiro seja apenas um personagem do Denzel no filme “Nova York Sitiada”) – no filme HAVIA UM ESTADO DE DIREITO A SER DEFENDIDO, SIM!! Não há, na Suprema Corte, advogados de Partidos Americanos (nem do Hubbard nem do Coronel Deveraux) Ao atacar a ação da PF dizendo que foi “ilegal e espetaculosa”, Reinaldo, mesmo apoiado pela letra fria da lei, está fazendo a defesa de algo que não existe mais.

Veja, Reinaldo, o seguinte: ao contrário do que escrevem na internet, eu jamais pensei ou disse que você é “agente tucano”, nunca disse que é “comunista” (embora já o tenha xingado com palavrões quando você disse que o PT não era) e tenho certeza absoluta que nós dois e 91% (já que a popularidade de Dilma é 9%) do povo brasileiro queremos o fim do governo dessa organização criminosa. Onde estão as nossas diferenças então? Em primeiro lugar, como eu já deixei implícito anteriormente, eu considero, sim, o PT uma organização revolucionária ligada ao narcotráfico e ao Foro de São Paulo; você não. Em segundo: eu não acredito mais que estejamos vivendo naquilo que se costuma chamar “Estado de Direito”. Viver num “Estado Democrático de Direito” é mais ou menos como a mulher que engravida – não existe mulher “meio grávida” assim como não existe Estado com “algumas instituições ainda funcionando”. Toda estrutura do Estado Brasileiro, Reinaldo, foi tomada pelo PT. Disso eu tenho certeza absoluta que você já sabe e volto, portanto, ao ponto – nós discordamos da possibilidade de que alguma coisa possa ser feita “rigorosamente dentro da legalidade”. Você então me perguntaria: “Milton, você acha então que os fins justificam os meios” e eu lhe respondo – “Eu não, mas o PT sim !” e lhe devolvo a pergunta – como poderemos, Reinaldo, trocar o “pneu com o carro andando” ?? As leis estão sendo feitas por eles ! São ELES que dizem o que é legal ou não ! Ou nós devemos ir até o fim (dentro da lei) e depois deixar que isso seja julgado por Toffoli e Lewandowski?? Se é assim, melhor esperar 2018 e aceitar a volta do Lula !

Um abraço,

Milton Pires.
Médico
Porto Alegre.

Tenho um enorme respeito e uma divida muito maior com o jornalista Reinaldo Azevedo, pois foi em seu blog que encontrei um respaldo ao que já havia lido nos livros do Professor Olavo de Carvalho. Entretanto, concordo com o Dr. Milton Pires quando este tenta mostrar a desigualdade da luta entre um cidadão de bem, honesto, e a máfia narcotraficante que nos governa. Finalmente, é forte a conclusão do Dr. Milton quando ele levanta a grande questão da negociação “limpa” (dos que pensam em negociação “Democrática”) com um negociador “sujo” (o PT). Enquanto a direita busca meios e alternativas cavalheirescas que tirem o PT do poder, os gângsteres do partido continuam a fazer as leis que cada vez mais tiram nossa liberdade e nos privam de nosso direitos mais básicos.

Em minha opinião, e acredito seja este também o teor da “Carta” do Dr. Milton, há um limite quando se está negociando com bandidos. Essa foi a única lição que o mundo tirou do relacionamento entre Hitler e Chamberlain, que por pouco não levou a Inglaterra à destruição e não subjugou o mundo ao jugo nazista.

As quatro metas do desafio político

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Na última parte do primeiro capítulo de seu livro1, Gene Sharp nos fala de quatro alvos que precisam ser imediatamente atingidos para que o desafio político seja bem sucedido em seu propósito de derrubar uma ditadura.

São elas:

  1. necessidade de fortalecer aqueles que apoiam o movimento em três aspectos:
    1. determinação;
    2. autoconfiança;
    3. habilidades de resistência
  2. fortalecer grupos sociais e associações independentes que compartilhem do mesmo sentimento de opressão governamental que os demais manifestantes percebem;
  3. criar uma poderosa força interna de resistência; e,
  4. desenvolver um plano estratégico abrangente e inteligente.

Ao longo dos capítulos seguintes, Sharp estabelece os meios básicos para se alcançar estes quatro objetivos e conclui:

…A libertação das ditaduras, em última análise, depende da capcidade das pessoas de libertar a si mesmas.”

Conclusão

O autor deixa clato que estes pontos fundamentais precisam estar firmemente enraizados no coração dos que fazem da luta não violenta com fins políticos (o desafio político) sua técnica de resistência à ditadura.

Antes de se partir para a luta aqueles que se empenharão nela precisam ter:

  • autodeterminação confiar apenas em sua própria determinação em participar na luta. Não se pode ser claudicante ;
  • precisam manter-se unidos e este é um desafio e tanto, pois luta-se contra diversas técnicas e estratégias para promover a desunião interna (boatos, desinformação, intriga etc.);
  • precisam compreender que todos os empenhados no desafio político são humanos. Uns são mais fracos do que os outros. Estes precisam ser ajudados perseverar e não desistir da luta, porque o desafio político pode ser um combate de longa duração;
  • O grupo, mantendo-se unido e organizado sairá vencedor. Charles Stewart Parnell, líder politico irlandês, nacionalista, citado por Sharp, e que participou da resistência irlandesa em 1879, afirmou que os decididos a usar o desafio politico somente deveriam passar para a ação quando estas questões estivessem plenamente internalizadas pelos empenhados no desafio.

    Desafio político x ajuda internacional

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    A última das quatro alternativas ao desafio político analisadas por Sharp é o apelo à ajuda internacional para derrubar uma ditadura opressiva. Segundo o autor, o cenário propício para o desenvolvimento entre os oprimidos do desejo de apelar para ajuda externa ocorre quando não se sentem capazes de vencer a opressão do Estado e quando alguns precisam sair do país para escapar às ações do governo opressor.

    Vimos isso acontecer no caso dos exilados cubanos e, mais recentemente, na vizinha Venezuela, durante os distúrbios de fevereiro deste ano, quando alguns dos aflitos venezuelanos fizeram vídeos solicitando ajuda estrangeira contra o governo Maduro.

    Sharp aponta para as armadilhas sob as quais se esconde a impressão de que a ajuda externa é de ajuda para resolver os problemas internos de uma nação:

    Algumas realidades duras sobre dependência de intervenção estrangeira devem ser enfatizados aqui:

    • Frequentemente, estados estrangeiros tolerarão, ou até mesmo ajudarão positivamente uma ditadura, a fim de defender seus próprios interesses econômicos ou políticos.
    • Estados estrangeiros também podem estar dispostos a vender um povo oprimido em vez de manter as promessas de ajudar em sua libertação à custa de outro objetivo.
    • Alguns estados estrangeiros agirão contra uma ditadura só para ganhar o controle econômico, político ou militar sobre o país.
    • Os estados estrangeiros podem se envolver ativamente para fins positivos somente se e quando o movimento de resistência interna já começou a abalar a ditadura, tendo, assim, a atenção internacional direcionada para a natureza brutal do regime.

    Fonte: SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação . Tradução: FILARDI, José a. S. 4ª Edição. São Paulo:The Alert Einstein Institution. pg. 10. 2010. ISBN 1-880813-09-2.

    E Sharp explica por que isso acontece:

    Ditaduras normalmente existem principalmente por causa da distribuição interna do poder no país de origem. A população e a sociedade são demasiado fracas para causar à ditadura sérios problemas; a riqueza e o poder estão concentrados em muito poucas mãos. Embora a ditadura possa se beneficiar ou ser um pouco debilitado por ações internacionais, sua existência depende principalmente de fatores internos.

    Pressões internacionais podem ser muito úteis; mas quando elas estão apoiando um poderoso movimento de resistência interna. (Sharp, op. Cit. pg. 10 – ênfase acrescentada)

    Assim, antes de se apelar para ajuda internacional é preciso haver no país um movimento expressivo de resistência interna. Isto significa que, a principal mola mestra da mudança é o povo do próprio país. Sem ele esperar pela ajuda externa pode ser vã.

    Por esta razão, a censura à mídia é tão importante para as ditaduras é através dela que impedem a divulgação junto à opinião pública dos movimentos populares ao mesmo tempo que, internamente, buscam com o auxílio da mídia censurada, desacreditar os movimentos oposicionistas. Esta é uma das razões porque os democratas não devem desistir de resistir aos esforços dos ditadores de censurar e controlar a mídia.

    Além dos vários exemplos históricos que estão nos registrados nos livros especializados sobre as diversa s ditaduras que exisitiarm no passado e que ainda sobrevivem no mundo, os países da América do Sul já sob o controle do Foro de São Paulo (ex. Argentina, Venezuela, Bolíva, Equador, Uruguai, Colômbia e Brasil) são os exemplos vivos do poder deletério que o controle do Estado sobre os meios de comunicação exerce sobre o imaginário de uma opinião pública de baixo nível cultural e mal informada.

    As considerações finais do capítulo que abre a obra citada de Gene Sharp serão o objeto do próximo post. Nela o autor traça um roteiro para se remover os principais obstáculos que podem dificultar a evolução do desafio político no caminho para a libertação da ditadura opressora.

    Desafio político x eleições

    Kim Jong Um vota em si mesmo

    Eleito com 100% dos votos!


    Origem da foto:
    Fonte: Ouside the Beltway (em inglês)
    Título: Why Do Dictators Like Kim Jong Un Bother To Hold Fake Elections? (em inglês)
    Disponível em: http://www.outsidethebeltway.com/why-do-dictators-like-kim-jong-un-bother-to-hold-fake-elections/
    Acesso em: 23 nov 2014

    Sobre a esperança nutrida pelos democratas de que através de eleições poderão se livrar de uma ditadura, Gene Sharp escreve:

    Não existem eleições sob ditaduras como instrumento de mudança política significativa.

    Fonte: SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação . Tradução: FILARDI, José a. S. 4ª Edição. São Paulo: Pgs. 9, 10. 2010. ISBN 1-880813-09-2. (ênfase acrescentada)

    A frase por si só é suficiente para provar porque os democratas não deveriam nutrir grandes esperanças sobre os resultados das últimas eleições presidenciais em 26 de outubro de 2014.

    De fato, como afirma Sharp

    Alguns regimes ditatoriais, tais como as do antigo bloco oriental dominado pelos soviéticos, passava por esse trâmite, com o objetivo de parecer democráticos. Aquelas eleições, no entanto, eram apenas plebiscitos rigidamente controlados para obter endosso público dos candidatos já escolhidos a dedo pelos ditadores. Ditadores sob pressão às vezes podem concordar com novas eleições, mas depois eles as instrumentalizam para colocar fantoches civis em cargos governamentais. 1

    O que Sharp descreve aqui, explica porque foi (e é ilusório) se esperar “eleições limpas” sob ditaduras.

    Vemos isso acontecendo, na prática, em toda a América do Sul. Embora nesses países, aos olhos do mundo mal informado, não se viva numa ditadura explícita, onde ditadores “de fato”, para “ceder a pressões externas” precisem convocar eleições, é de interesse do poder que hoje controla ao continente seguir as legislações vigentes – inicialmente para eleger seus comandados, os quais depois de eleitos, alteram as leis e as constituições desses países para se perpetuarem no poder – e convocar periodicamente eleições em que todos são sistematicamente reeleitos, para conferir legitimidade democrática às suas ações ditatoriais, incluindo, aparelhamento do Estado, fim da independência entre os 3 poderes democráticos, criação de sovietes, chantagem econômica e implantação de censura à grande mídia, perseguição aos opositores, desvio de recursos nacionais, censura da internet, criação de milícias governamentais para repressão de protestos contra o governo etc. até à total destruição do Estado de Direito.

    Já apontei aqui várias atitudes do PT que indicam o partido como agindo ditatorialmente. Na verdade, apenas juntando os pontos, isto é, avaliando o que tem acontecido na América do Sul nas duas últimas décadas, sou de opinião que a ditadura que hoje controla uma boa parte dos governos sul-americanos é supranacional e vai além das pessoas que lideram tais governos, os quais, a meu ver, usando a expressão de Sharp, são meros “fantoches” às mãos do poder real por trás desses acontecimentos.

    Desde os anos 1990 pelo menos, o prof. Olavo de Carvalho vem afirmando insistentemente, com excesso de provas documentais, que Fidel Castro e Lula haviam criado uma poderosa organização internacional, batizada com o nome de Foro e São Paulo, cujo principal objetivo era restaurar na América Latina o que o comunismo perdeu no Leste Europeu.

    Apesar dos incessantes e numerosos avisos do professor, para a opinião pública, esta organização, graças à colaboração da mídia brasileira e com o apoio de partidos políticos como o próprio PSDB, passou quase 10 anos no mais completo anonimato, estendendo suas garras sobre as nações da América do Sul, sendo totalmente ignorada pelo povo brasileiro. Neste meio tempo, ela pode, aos poucos, ir colocando por meio de “eleições” seus fantoches como principais mandatários de seus países. Isto aconteceu, entre outros, na Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai e o próprio Brasil. Em todos esses países os testas de ferro do Foro de São Paulo foram mantidos no poder por meio de eleições ditas “democráticas”, ou como afirma Sharp “apenas para obter endosso público”, e invariavelmente, em todos os casos, sob acusações de terem praticado eleições fraudulentas, a última das quais tendo ocorrido no Brasil há pouco menos de um mês.

    O que foi confirmado pela fala de Lula mostrada acima e, em outra ocasião, pela presidente candidata que declarou textualmente que podia fazer o diabo na hora da eleição: e fizeram!


    1. Op. cit. pg. 9.

    Desafio político x golpe militar

    exército chinês

    Um golpe militar contra uma ditadura pode parecer relativamente uma das maneiras mais simples e rápidas de remover um regime particularmente repugnante.1

    A frase introdutória da exposição feita por Gene Sharp em sua análise dos efeitos doe um golpe militar, ilustra bem porque no Brasil de nossos dias tantos apelam para a intervenção militar. O desespero, mais uma vez, move as pessoas a pedir por algo que num passado mais ou menos remoto, nos salvou da ditadura comunista, uma situação para onde as ações do partido do governo parece, a cada dia que passa, mais bem-sucedido em nos empurrar.

    As pessoas preocupadas com a estratégia a ser seguida pelos movimentos de oposição ao radicalismo comuno-anarquista do governo federal têm sido enfaticamente contra levantar esta bandeira. Primariamente, porque fere o princípio democrático do estado de direito. Entretanto, Sharp, no ensaio citado, nos oferece mais alguns argumentos que ajudam a entender porque, em relação ao desafio político, esta alternativa é desvantajosa.

    Os que apelam pela intervenção militar esperam que ocorra a seguinte cadeia e eventos:

    1. os militares derrubam a o governo em processo de dar o golpe comunista;
    2. estabelecem em seu lugar um governo provisório que visa livrar o Estado da infiltração perniciosa promovida em todos os níveis pelo governo deposto;
    3. passado um período razoável (esperam que seja apenas uns poucos dias – 30 ou 60), convocam eleições livres com uma nova estrutura partidária e novos candidatos; e,
    4. a democracia triunfa e todos viverão felizes para sempre (ou até uma nova ressurreição do comunismo que, como um zumbi, sempre volta em busca de mais carne humana para devorar).

    Bem, no país de D. Baratinha, aquela que ‘tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha’ – tinha dinheiro na caixinha, não tem mais, porque o PT roubou tudo – o país das Maravilhas, esta estória até pode acontecer, mas no mundo real é de difícil reprodução. É quanto a isto que Gene Sharp alerta, quando fala dos riscos de um golpe militar:

    O governo “provisório”, que substituirá o aparelho atual por outras pessoas, com muita probabilidade substituirá por outros grupos os que estão hoje no poder. Nada garante que esses novos senhores do poder abrirão mão dele quando conseguirem assumir o seu controle. Em alguns casos, os novos detentores do poder poderão ser mais duros do que os antigos ditadores.

    Em resumo, uma mudança feita nesse nível e com recurso de forças militares é uma “caixa preta” da qual ninguém pode prever as consequências.

    Teoricamente, esse grupo poderia ser mais suave em seu comportamento e mais aberto de forma limitada a reformas democráticas. Mas, é mais provável que aconteça o contrário.

    Depois de consolidar sua posição, a nova camarilha pode vir a ser mais cruel e mais ambiciosa que a antiga. Por conseguinte, a nova camarilha – em quem foram depositadas as esperanças – será capaz de fazer o que quiser sem se preocupar com a democracia ou direitos humanos. Essa não é uma resposta aceitável para o problema da ditadura. 2

    Um pouco de história. A contrarrevolução de 1964, começou com a expectativa de reestabelecimento “em breve” da democracia. Durou 20 anos. Ocorreram golpes dentro do contragolpe que, não só permitiram 20 anos de regime de exceção, como levaram ao total distanciamento e à apatia da população civil em relação à política, abrindo as portas do país para os teóricos gramcistas dominarem setores vitais de formação da opinião pública, como sejam: as universidades, a mídia, as artes e, até mesmo, as religiões católica e evangélicas.

    A matéria indicada a seguir, acrescenta outras justificativas de caráter estratégico por quê o pedido de intervenção militar pode ser um “tiro no pé” da oposição brasileira às esquerdas.

    A ligação do PT com a democracia e o que devemos aprender com isso


    1. SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação . Tradução: FILARDI, José a. S. 4ª Edição. São Paulo: pg. 9. 2010. ISBN 1-880813-09-2.

    2. Op. cit. pg. 9.

    A violência como método para conseguir a liberdade

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    Em seu ensaio sobre o desafio político, Gene Sharp lista quatro outros meios de se buscar a libertação de ditaduras repressoras. O primeiro desses meios é a luta armada.

    Compreensivelmente, reagir às brutalidades, torturas, desaparecimentos e assassinatos, as pessoas, com frequência concluíram que só a violência pode acabar com a ditadura. Vítimas enraivecidas algumas vezes organizaram- se para lutar contra os brutais ditadores com qualquer capacidade militar e violenta de que pudessem dispor, apesar das probabilidades serem contra elas. Essas pessoas, muitas vezes, lutaram bravamente, com um grande custo em termos de vidas e sofrimento. Suas realizações foram por vezes notáveis, mas eles raramente ganharam a liberdade. Rebeliões violentas podem desencadear uma repressão brutal que, frequentemente, deixa a população mais indefesa do que antes.

    Fonte: SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação . Tradução: FILARDI, José A. S. 4ª Edição. São Paulo: pg. 8, 9. 2010. ISBN 1-880813-09-2.

    O desespero diante do sofrimento sem esperança de alívio– sempre ele- é a verdadeira mola mestra que move o povo a se envolver nesta modalidade de protesto.

    Duas técnicas de resistência podem ser enquadradas neste método:

    1. a luta armada; e,
    2. guerra de guerrilhas

    Quanto à primeira, Gene ressalta que esta é a área em que, quase sempre, os opressores têm a superioridade tanto em equipamento militar como em tamanho das forças militares.

    Devido a esta prevalência de poder bélico da ditadura, na maioria das vezes, são os democratas rebeldes que sofrem com a repressão que se torna muito mais cruel em resposta ao movimento popular.

    Como afirma Sharp:

    Não importa quão longa ou brevemente esses democratas possam continuar [na luta armada contra a ditadura], eventualmente, as duras realidades militares tornam-se inevitáveis. Os ditadores têm quase sempre superioridade em equipamento militar, munições, transportes, e tamanho das forças militares. Apesar da bravura, os democratas não são (quase sempre) páreo para eles.

    Fonte: Sharp, Op. cit. pg. 9

    Uma outra forma violenta que alguns buscam para tentar a libertação de um regime opressor é através da guerrilha. Esta forma de luta, embora exija uma análise teórica e avaliação estratégica, o que implica na necessidade de algum planejamento por parte dos democratas, acaba produzindo um número muito grande de vítimas entre o próprio povo. Além disso, no combate à guerrilha feito pelo governo, populações inteiras podem ser forçadas a se transferir do lugar onde vivem com “imenso sofrimento humano e deslocamento social”1.

    Mesmo quando bem sucedida, a luta por guerrilhas tem como consequência tornar o regime atacado mais ditatorial e se os guerrilheiros acabam prevalecendo e vencendo os vencedores poderão criar um regime ainda mais ditatorial do que o vencido não só por ter sob seu comando uma enorme força parmilitar, mas também por que na luta contra a ditadura , a guerrilha acaba destruindo grupos e instituições independentes que são vitais para o estabelecimento e a manutenção de uma sociedade democrática2.

    Conforme confirmam a experiência brasileira do período após o contra-golpe de 1964, mais ainda, da inteira América Latina durante o turbulento período que se seguiu à revolução comunista em Cuba, a conclusão de Sharp apresentada neste trecho de seu ensaio sobre as técnicas de libertação disponíveis para os povos sob opressão ditatorial, a violência como método, só resulta em mais sofrimento e opressão do povo, sendo de muito pouca – quando de alguma – eficiência em atingir o alvo da liberdade democrática3.

    Num próximo post, comentarei a opinião de Sharp a respeito de uma segunda técnica de resistência a uma ditadura, que tem sido muito citada pelos opositores do bolivarianismo moreno do PT e sua linha auxiliar (PSOL, PSTU, PCdoB etc.): a intervenção, ou golpe militar.


    1. Sharp, Op. cit. pg. 9
    2. Sharp, Op. cit. pg. 9
    3. Uma constatação interessante que tive foi a procurar no Google-Imagens uma imagem para ilustrar a luta armada como conceito de Gene Sharp de rebelião democrática, ou seja um movimento popular visando derrubar uma ditadura para em seu lugar estabelecer um governo democrático. Todas as imagens disponíveis na pesquisa se referiam à luta armada no Brasil ou de comunistas em outros países. Dificilmente, quando um comunista se empenha na luta armada, ele está pensando em estabelecer um regime democrático em substituição a uma ditadura. O que ele invariavelmente busca é firmar sua própria ditadura, ampliando o sofrimento do povo que está subjugando. Embora se trate de uma distorção torpe do conceito de Gene Sharp, mesmo assim confirma a conclusão do autor de ensaio que estamos estudando, pois tais exemplos de luta armada só levaram – ou tentaram levar, no caso dos terroristas tupiniquins – a uma ditadura pior do que a que ela conseguiu derrubar.

    Desafio Político

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    Desafio político, é apresentado por Gene Sharp, logo no primeiro capítulo de seu livro com as seguintes palavras:

    O termo usado neste contexto foi introduzido por Robert Helvey. “Desafio político” é luta não violenta (protesto, não-cooperação e intervenção), aplicada desafiadora e ativamente para fins políticos. O termo surgiu em resposta à confusão e distorção criados por equiparação da luta não violenta ao pacifismo e “não-violência” moral ou religiosa. “Desafio” denota uma oposição deliberada à autoridade, por meio de desobediência, não deixando espaço para submissão. “Desafio político” descreve o ambiente em que a ação é empregada (político), bem como o objetivo (poder político). O termo é usado principalmente para descrever a ação das populações para recuperar o controle de instituições governamentais através do ataque implacável às fontes de poder das ditaduras, e o uso deliberado de planejamento estratégico e operações para o faze-lo. Neste trabalho, desafio político, resistência não violenta e luta não violenta serão usados como sinônimos, embora os dois últimos termos geralmente se refiram a uma gama mais ampla de objetivos (sociais, econômicos, psicológicos, etc.).

    Fonte:
    SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação . Tradução: FILARDI, José a. S. 4ª Edição. Pg. São Paulo: Pg. 7. 2010. ISBN 1-880813-09-2. (ênfase acrescentada)1

    Desafio político, portanto é um direito que qualquer cidadão pode exercer quando julga que a autoridade constituída o está prejudicando. Tal oposição pode ser feita isoladamente ou, o que é mais efetivo, em grupo.

    Se, ao contrário do que insiste em afirmar a maioria dos meios de comunicação (rádios, televisão, jornais, revistas, blogs, portais e sítios “chapa-branca”) e uma grande parte dos formadores de opinião – jornalistas, acadêmicos, atores e atrizes globais, músicos populares, intelectuais, professores em todos os níveis, cineastas etc. – na História do Brasil, jamais existiu um momento como o atual em que a maior fração dos brasileiros está sendo tão grandemente prejudicada pelas ações (ou inações) do governo constituído que estende privilégios a minorias e marginais, apenas com a nossa mobilização pacífica, poderemos ter esperança de conseguir reverter esse quadro.

    Cabe portanto, a nós, os que nos sentimos incomodados e ameaçados pelo Governo, protestar. E o meio não-violento de fazermos este protesto é o desafio político. No Brasil, estamos acostumados a ver este tipo de movimento popular levado a efeito pelas esquerdas que distorcem o uso da técnica desenvolvida e explicada por Gene Sharp, convocando a militância para fazer suas manifestações visando apenas seus interesses partidários e não, como descreve Sharp, como meio válido de pressão sobre ditaduras opressivas. Chegou a hora da oposição anti-esquerdista aprender e lançar mão deste recurso no sentido de pressionar as instituiçẽos democráticas a agir contra as ações do partido que está no poder manobrando para transformar nossa República num mero satélite bolivariano às mãos do Foro de São Paulo.

    Segundo Sharp2, além do desafio político, são quatro, as principais formas pelas quais o povo pode apresentar resistência aos ditadores,

    • através da violência (guerrilha);
    • golpe militar;
    • eleições;
    • buscando apoio no estrangeiro;

    Utilizando o livro de Gene Sharp, já citado, os próximos posts tratarão de cada uma dessas formas de resistências e mostrará porque de todas elas, o desafio político ainda é a melhor e a que mais se adequa ao atual cenário político brasileiro.


    1. Fontes e leituras recomendadas:

    2. Sharp, op. cit. pgs.8, 9