Desafio político x ajuda internacional

AJUDA-EXTERNA01

A última das quatro alternativas ao desafio político analisadas por Sharp é o apelo à ajuda internacional para derrubar uma ditadura opressiva. Segundo o autor, o cenário propício para o desenvolvimento entre os oprimidos do desejo de apelar para ajuda externa ocorre quando não se sentem capazes de vencer a opressão do Estado e quando alguns precisam sair do país para escapar às ações do governo opressor.

Vimos isso acontecer no caso dos exilados cubanos e, mais recentemente, na vizinha Venezuela, durante os distúrbios de fevereiro deste ano, quando alguns dos aflitos venezuelanos fizeram vídeos solicitando ajuda estrangeira contra o governo Maduro.

Sharp aponta para as armadilhas sob as quais se esconde a impressão de que a ajuda externa é de ajuda para resolver os problemas internos de uma nação:

Algumas realidades duras sobre dependência de intervenção estrangeira devem ser enfatizados aqui:

  • Frequentemente, estados estrangeiros tolerarão, ou até mesmo ajudarão positivamente uma ditadura, a fim de defender seus próprios interesses econômicos ou políticos.
  • Estados estrangeiros também podem estar dispostos a vender um povo oprimido em vez de manter as promessas de ajudar em sua libertação à custa de outro objetivo.
  • Alguns estados estrangeiros agirão contra uma ditadura só para ganhar o controle econômico, político ou militar sobre o país.
  • Os estados estrangeiros podem se envolver ativamente para fins positivos somente se e quando o movimento de resistência interna já começou a abalar a ditadura, tendo, assim, a atenção internacional direcionada para a natureza brutal do regime.

Fonte: SHARP, Gene. Da Ditadura à Democracia. Uma estrutura conceptual para a libertação . Tradução: FILARDI, José a. S. 4ª Edição. São Paulo:The Alert Einstein Institution. pg. 10. 2010. ISBN 1-880813-09-2.

E Sharp explica por que isso acontece:

Ditaduras normalmente existem principalmente por causa da distribuição interna do poder no país de origem. A população e a sociedade são demasiado fracas para causar à ditadura sérios problemas; a riqueza e o poder estão concentrados em muito poucas mãos. Embora a ditadura possa se beneficiar ou ser um pouco debilitado por ações internacionais, sua existência depende principalmente de fatores internos.

Pressões internacionais podem ser muito úteis; mas quando elas estão apoiando um poderoso movimento de resistência interna. (Sharp, op. Cit. pg. 10 – ênfase acrescentada)

Assim, antes de se apelar para ajuda internacional é preciso haver no país um movimento expressivo de resistência interna. Isto significa que, a principal mola mestra da mudança é o povo do próprio país. Sem ele esperar pela ajuda externa pode ser vã.

Por esta razão, a censura à mídia é tão importante para as ditaduras é através dela que impedem a divulgação junto à opinião pública dos movimentos populares ao mesmo tempo que, internamente, buscam com o auxílio da mídia censurada, desacreditar os movimentos oposicionistas. Esta é uma das razões porque os democratas não devem desistir de resistir aos esforços dos ditadores de censurar e controlar a mídia.

Além dos vários exemplos históricos que estão nos registrados nos livros especializados sobre as diversa s ditaduras que exisitiarm no passado e que ainda sobrevivem no mundo, os países da América do Sul já sob o controle do Foro de São Paulo (ex. Argentina, Venezuela, Bolíva, Equador, Uruguai, Colômbia e Brasil) são os exemplos vivos do poder deletério que o controle do Estado sobre os meios de comunicação exerce sobre o imaginário de uma opinião pública de baixo nível cultural e mal informada.

As considerações finais do capítulo que abre a obra citada de Gene Sharp serão o objeto do próximo post. Nela o autor traça um roteiro para se remover os principais obstáculos que podem dificultar a evolução do desafio político no caminho para a libertação da ditadura opressora.

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